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Entrevista: Patrice Florvilus fala sobre a educação em seu país – o Haiti -, antes e depois do terremoto

4 mayo, 2010

Com 90% das escolas destruídas pelo terremoto, governo do Haiti segue o triste histórico de não priorizar a educação pública

"Se o governo e a comunidade internacional querem mesmo reconstruir o país, têm que começar a investir de fato na educação". Foto: Nara Menezes

Leia abaixo a entrevista com Patrice Florvilus, da Reagrupação Educação para Todos e Todas (REPT), coalizão parceira da CLADE no Haiti, que acaba de lançar um posicionamento, exigindo investimentos do governo em educação pública. Ele está no Brasil participando da 6ª Assembleia da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE), em São Paulo, de 3 a 5 de maio.

CLADE: Aqui no Brasil a chamada grande imprensa noticiou o terremoto no Haiti como se fosse a causa única de todos os problemas que enfrenta seu povo. Gostaria que você contasse qual era o panorama da educação no seu país antes de 12 de janeiro de 2010.

PATRICE: A situação da educação antes do 12 de janeiro já estava muito complicada, com uma taxa de analfabetismo de 60% e com apenas 15%  de escolas públicas. O resultado é que havia cerca de 500 mil crianças fora do sistema educativo. O Haiti era um país com educação dominada pela esfera privada, ao mesmo tempo em que 70% da população vivia em extrema pobreza, com menos de um dólar ao dia. Era lógico, portanto, que os pais não podiam assumir o custo da escolarização de seus filhos e filhas. Esta realidade tem a ver com a ordem internacional hegemônica, que direciona as políticas econômicas dos governos haitianos. A Constituição do Haiti, promulgada em 1987, diz que a educação básica é de responsabilidade do Estado e do governo local. Mas já antes do terremoto não se cumpria essa obrigação.

CLADE: Vocês têm um levantamento de quantas escolas foram destruídas pelo terremoto?

Escola destruída em Porto Príncipe. Foto: Nara Menezes

PATRICE: Segundo as últimas informações, 90% da estrutura escolar foi destruída. As três principais universidades, todas privadas, desapareceram. A universidade pública também. Agora só existem três faculdades em condições de funcionar. Isso sem falar nos milhares de estudantes, pais de alunos e trabalhadores da educação que morreram.

CLADE: A ajuda internacional, agora, é totalmente necessária. Mas também significa um risco de aumentar a dominação externa. Como a sociedade civil e as organizações haitianas estão trabalhando para participar dos debates e decisões sobre a ação emergencial?

PATRICE: Nós pensamos que a solidariedade internacional é muito importante. Mas se o governo e a comunidade internacional querem mesmo reconstruir o país, têm que começar a investir de fato na educação. Depois do terremoto, o governo haitiano, em sua declaração oficial, disse que ia financiar a reabertura de 100 escolas –todas elas escolas privadas! É por isso que nós da REPT, em nosso posicionamento público, apoiamos a luta dos estudantes e seus pais, que demandam do Estado os investimentos na educação pública.

CLADE: Diante deste cenário de dificuldades, quais têm sido as estratégias do movimento haitiano por uma educação pública, gratuita e de qualidade?

PATRICE: Fizemos uma articulação com os alunos das escolas públicas. Juntos realizamos manifestações em frente ao Ministério de Educação. E também promovemos debates com organizações da sociedade civil, para realizar no próximo julho a Assembleia Popular Progressista Haitiana. É uma assembleia que convoca o povo haitiano para se pronunciar sobre a educação e a reconstrução do país. Porque oficialmente se montou uma Comissão de Reconstrução cujo presidente é Bill Clinton. Ela tem dez pessoas da comunidade internacional e apenas sete haitianos. Então me pergunto: é um plano para os haitianos ou para a comunidade internacional? Não é algo que integre a comunidade haitiana, que abrace a causa da educação, que seja produto dos diferentes setores da sociedade. É um plano elaborado pelos especialistas das Nações Unidas.

Leia aqui o posicionamento público da REPT.

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